domingo, 15 de maio de 2016

Entrevista: Vera Fernandes

Vera Fernandes, uma das principais caras da Cidade, confessa que a rádio não foi o seu sonho de criança. Hoje é a protagonista desta entrevista no SobreTudo.

1. Quem é a Vera Fernandes?
Esta é a minha biografia oficial que, com a gravidez, ficou temporariamente desatualizada:
Tempo? Para os meus amigos, para o ginásio, para o running, para as minhas duas máquinas de costura que fazem de mim a mulher mais prendada do mundo urbano. Sim, tenho duas. O meu cabelo tira-me muito tempo, é muito grande. Tenho de ter tempo para comprar a roupa que não tenho tempo para costurar. Gosto de restaurantes caros e de perfumes caros. Bebo café para acordar e vinho para adormecer. Nasci em Lisboa e sempre que viajo gosto de ver a placa azul a dizer Lisboa. Gosto de me rodear de coisas bonitas, calças subidas, óculos emblemáticos, do artesanal, de pessoas que puxam por mim, alguns livros e música. Gosto de usar vernizes caros que só eu é que sei que são caros. Não tenho cães mas vou ter, não tenho filhos mas vou ter 4. Ainda tenho tudo para viajar mas já repeti  Nova Iorque 5 vezes.  Ainda tenho que ir à Argentina, Zanzibar, Colômbia, Moçambique. E tenho de voltar a Bali. Gosto tanto de jantar fora que, quando me lembro durante a tarde, fico tresloucada. O meu pai cozinha muito bem e, por isso, raramente almoço fora. A minha mãe é mais bonita que eu. O meu namorado é espanhol. Quando sou eu a experimentar receitas novas, uso o vinho para cozinhar mas não o coloco na comida. Sei que, quando for velha, vou andar de mão dada na rua e dar beijos na boca. Já digo isto há muito tempo. Não sou muito rica mas tenho uma rica vida. No fundo, faço por isso.

2. Como nasceu a sua paixão pela rádio?
No meu caso não foi um sonho de criança! Eu estava em Economia na Secundária e, quando chegou a altura de começar a pensar na Universidade, cheguei à conclusão que estava numa área que não tinha nada a ver comigo. Eu, que gostava tanto de falar, agarrada a uma secretária o dia todo? Não! Decidi ir à Psicóloga da escola pedir ajuda. Ela deu-me um livro onde podia consultar todas as profissões e, depois de alguns minutos a folheá-lo, percebi que queria ser jornalista! Fechei o livro e lá fui eu. Entrei para o curso de Ciências da Comunicação, arranjei um part-time numa sapataria e comecei a ouvir umas promoções na rádio local que costumavam ouvir na loja a pedir estagiários. Candidatei-me e comecei a ler notícias e a dar o trânsito nessa rádio local em Vila Franca de Xira. Na altura, chamava-se Ateneu. Entretanto, saí e tentei a minha sorte numa outra rádio local da zona. Achava mais piada à parte do entretenimento e das músicas do que propriamente das notícias. O tempo foi passando e consegui fazer o final da tarde na Rádio Lezíria.
Já no último ano da faculdade, comecei a mandar curriculuns para rádios maiores e chamaram-me para uma entrevista na Cidade. Isto há 13 anos. Fui evoluindo e cá estou eu!

3. Trabalha para a rádio Cidade há vários anos. Que balanço faz?
A rádio é a minha segunda casa. Entrei a fazer 21 anos e entretanto já caminho para os 34! O tempo passa mesmo rápido. Um dia disseram-me que eu fui das pessoas que mais mudei ao longo dos anos. Olho para trás e fico feliz porque foi sempre para melhor. A rádio foi uma espécie de irmã mais velha que me ajudou a modelar a minha personalidade, as minhas características profissionais e que, acima de tudo, me deu a conhecer o/ao mundo. Um dia, quando era muito pequenina, um amigo do meu pai sugeriu-me que começasse a falar com outra pessoa. Imagina há quanto tempo não estava ali a discursar! O meu futuro tinha, inevitavelmente, que passar pela comunicação.

4. É conhecida por Verinha Mágica. Porquê?
Digamos que é um nickname que já está em fade out há algum tempo mas que foi tão marcante que as pessoas continuam a associar. Há alguns tempo, quando fazia parte do «Abre a Pestana com o Pedro e a Joana» a Joana Azevedo (perita em trocadilhos) começou a chamar-me assim no ar e pegou.  Até hoje!

5. Acha que a rádio está em vias de extinção?
Acho que a rádio tem de se ir adaptando sempre às necessidades dos ouvintes. Temos o fenómeno da Rádio Comercial. Que antes era grande e, com algumas personalidades, tornou-se gigante. A companhia é muito importante. Se a pessoa que fala para mim na rádio me der sugestões interessantes, fale de conteúdos que tenham a ver comigo e que tenha um estilo de vida que me agrada, facilmente me torno fã e quero segui-la bem como as músicas que passa.

6. Em 2013, a Vera estreou-se como apresentadora de televisão. Como surgiu esta oportunidade?
Adorei! Parece que já foi há tanto tempo! Fui a um casting na TVI e ainda hoje fico maluca quando penso que fui escolhida entre uma data de pessoas cheias de talento! Foi muito intenso porque gravávamos vários por dia e quando chegava ao fim do dia, quase nem falava de cansaço! Gostei do João logo no primeiro segundo e percebemos logo a onda um do outro. Correu mesmo muito bem.

7. Conduziu o programa «OK KO», da TVI. Porque é que o formato não resultou e acabou por ser cancelado?
Parece que as audiências não corresponderam àquilo que era esperado mas são decisões que estão muito longe do meu alcance e quem sou eu para as julgar. Eu fiz a minha parte e dei o meu melhor.

8. Posteriormente, apresentou algumas emissões do «Somos Portugal» e afastou-se da televisão. Falta de convites ou vontade própria?
A verdade é que tenho um full time na rádio. Depois, continuo a colaborar com o canal MOV e a gravar Publicidade. Os convites depois não apareceram e a minha atenção também virou-se para a corrida. Meti na cabeça que tinha de fazer uma Maratona e depois de muitos meses de treinos lá fui eu de Cascais ao Parque das Nações a correr!

9. Pretende regressar ao pequeno ecrã?
A rádio irá sempre ser o centro da minha vida e depois irei pingá-la com televisão, moda, escrita, roupa, muita roupa! Adorava ter uma loja minha. E um restaurante! Quero fazer tanta coisa mas (infelizmente) o dia só tem 24 horas.

10. A Vera está grávida. O bebé já tem nome?
Sim, estou grávida de 5 meses. Chama-se Francisca.

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