Raquel Varela arrasa o filme «A Odisseia»: «Um suplício, três longas horas de inferno»

«A Odisseia», o mais recente filme de Christopher Nolan, está a afirmar-se como um dos maiores sucessos do ano. Com um elenco de luxo composto por Matt Damon, Tom Holland, Anne Hathaway, Robert Pattinson, Lupita Nyong'o, Zendaya e Charlize Theron, a longa-metragem já arrecadou mais de 900 milhões de dólares (mais de 780 milhões de euros) em todo o mundo.
Baseado na obra clássica de Homero, o filme narra o regresso de Ulisses a Ítaca depois da Guerra de Troia. Ao longo de uma viagem que dura dez anos, o rei enfrenta desafios constantes, monstros e divindades, lutando para voltar junto da família e reconquistar o trono.
Raquel Varela, historiadora, professora universitária e comentadora televisiva, expôs a sua opinião sobre o filme e não teve papas na língua: «Fui ver A Odisseia, um suplício, olhei várias vezes o relógio. Um jogo de vídeo, com um barulho ensurdecedor, movimento frenéticos, para conquistar provavelmente um público educado para ter défice de atenção, um filme que apagou tudo o que é importante na obra - as alegorias, a memórias, os encontros, o amor, a escolha (canto das sereias). Resta a guerra e na sua forma atual - contagem de corpos, sem qualquer explicação política. Do poema épico fez o realizador o mais óbvio e dramático filme, para contar que os homens se transformam em animais, transforma-os em animais...», começou por escrever nas redes sociais.
«Nunca li A Odisseia, infelizmente foi-me retirado tal prazer com os curricula "inovadores" que foram colocando competências em vez de cultura grega (a qual tive em história, vá lá) e latim, essencial para conhecermos a língua, a linguagem, e o pensamento, os fundamentos portanto. Não faço assim qualquer comentário profundo sobre a obra. Falo mesmo do filme, da sua forma, é de fugir, três longas horas de inferno, mas compatíveis com a cacofonia em que nos querem fazer viver 24 horas por dia neste admirável mundo da tecnologia e da guerra (ainda ontem o CEO da Spinumviva gastou 4 mil milhões dos nossos salários a comprar 3 fragatas de guerra ao Governo de Meloni): intensa luz, música aos gritos, gente a berrar, ameaças constantes e um turbilhão de emoções primárias, e claro nos três segundos finais foram felizes para sempre», acrescentou.
«Resta-me o consolo de que o jovem ao meu lado tapava os ouvidos como eu, e mais dois ou três saíram a meio. Em geral faço o mesmo, deixo livros, teatros e filmes a meio dos quais não gosto e sem remorsos (também durmo, mas ontem o sound-max-super-galáctico-total não permitiu), e, além disso, quis ficar até ao fim para poder em consciência suplicar aos Deuses - vi e quero desver», rematou.

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