Carlos Cruz explica fracasso de «Os Traidores»

«Os Traidores» estreou no passado 9 de abril para ocupar as noites de domingo e não tem correspondido às expectativas da SIC, perdendo para «O Triângulo» (TVI) e «The Voice Kids» (RTP1). «Daniela Ruah está perfeita. Ela não é 'apresentadora'. Ela é participante, como personagem, da história, semana a semana. É atriz a representar impecavelmente um papel. A produção também criou o ambiente correto para o programa. O local e a iluminação não têm erros», começou por escrever Carlos Cruz na sua crónica no jornal Tal & Qual.
«Então o que é que falta para o programa conquistar uma excelente audiência? O mais fácil é dizer que falta público. Mas isso seria uma afirmação de La Palice. É preciso lembrar que o espectador médio português não gosta de ter que pensar muito. A televisão há muitos anos que o habituou a não ter que pensar. As narrativas são lineares, simples e são mastigadas como uma pastilha elástica. Conversas durante o dia e novelas à noite. O limite são os concursos de pergunta e resposta [Quiz] porque não é necessário raciocinar, é só memória, sabe ou não sabe», acrescentou.
«Os Traidores pede mais aos espectadores. Ouvir com atenção, interpretar o que ouve, saber ler os olhares, os tiques, as expressões e apostar no nome que vai ser ‘morto’. Isto é, ser psicólogo e observador. Esperar sete dias para ver se acertou? O português medio, na sua maioria, não está para isso. Prefere comer o prato já pronto. Depois, falta conflito, discussão. É tudo muito soft. É esse o segredo do Big Brother, conflito. Mais tempo juntos na sala? Ou à mesa? E as razões da escolha dos traidores do jogador a abater? Quais os argumentos dos traidores? Mas agora... está tudo gravado», finalizou o antigo apresentador.

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