Crónica #17: Propagação de ódio em plena televisão!


Sou telespectador assumido de reality shows contra o preconceito de alguns que me rodeiam que catalogam este tipo de programas como trash tv (televisão de lixo). Como tal, tenho acompanhado o «Big Brother» nos últimos meses e, nesta crónica, centro-me nestas últimas duas edições: «A Revolução» e «Duplo Impacto».
Não consigo controlar a irritabilidade a escrever estas palavras quando penso nas constantes polémicas entre comentadores e concorrentes. Concordo com aquela ideia que os comentadores são pagos para comentar (sublinho comentar e já lá vamos) e os concorrentes para jogar.
Ontem, não me espantou nada quando o verniz estalou entre a Teresa e a 'Pipoca' em plena gala com a conivência dos apresentadores que continuaram a falar com a ex-concorrente, em vez de terminar logo o direto. Era uma questão de tempo e acho que a explosão da Teresa reflete bem a pressão que os concorrentes são colocados dentro e fora da casa.
Não vamos ser hipócritas: ninguém gosta que falem mal de nós... e venha o primeiro a dizer isso. «Cobra», «esterco», «dissimulada(o)», «ignorante», «rude», «conflituoso(a)», «mimada(o)», «egocêntrica(o)» são alguns dos impropérios que os comentadores destilam quase diariamente nos 'diários' e 'extras' com a infeliz aprovação dos telespectadores.
Mas também podemos adicionar um adjetivo para a Pipoca: incoerente! A Teresa não se vergou à pressão da produção e não pediu desculpa. Resultado: a 'rainha do comentário mordaz' (como é intitulada) não abandonou o programa como prometeu. Achei quase humilhante para a Teresa Guilherme implorar para a Ana Garcia Martins ficar na gala. Uma comunicadora com tantos anos de carreira ter de 'rebaixar-se' (provavelmente a pedido da produção) perante uma quase estreante neste mundo da televisão.
Mais engraçado é que estes comentadores são os mesmos que batem com a mão no peito e com os dedos nas teclas com apelos para a estagnação do ódio nas redes sociais e provavelmente até assinam petições da diretora Cristina Ferreira e compram livros para mostrarem que são os 'guerreiros' contra os haters. Pois, o efeito é o contrário: cada vez que criticam, quase que incentivam para a sua propagação.
Nunca aconteceu cá em Portugal - e felizmente, apenas existiu o polémico caso do Zé Maria que tentou atirar-se ao rio -, mas por exemplo sabem quantos concorrentes de reality shows (e outros como concursos de cozinha ou música) já se suicidaram? Cerca de 40 espalhados por todo o mundo. O que dizem os especialistas? Normalmente, os produtores procuram pessoas mais vulneráveis psicologicamente, porque isso trará melhores momentos de televisão.
Mas agora lembrei-me que a Jéssica Nogueira, do «BB2020», há umas semanas publicou um desabafo chocante nas redes sociais: «Estou completamente de rastos. Nunca pensei que ao expor-me num programa de televisão em Portugal um dia iria levar com tanta mer**. Com tanto ódio. Sinto-me deprimida, fraca e, às vezes, sem vontade de viver (...) Estão à espera do quê? Que aconteça algo de infeliz à minha vida? Que me deite de uma ponte abaixo? Vocês não têm noção do perigo que causam!». Alguém se preocupou? Não vi ninguém a manifestar-se publicamente... lamentável.
Podem comentar, mas sem a conotação negativa e maldosa que depositam em todas as palavras que proferem. Sigam o exemplo da Marta Cardoso, fica a dica!

Comentários

  1. Isto é fruto de existência deste tipo de programa! O esgosto da atual sociedade!

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